Muitos aqui já devem ter se perguntado porquê comprar videogame no Brasil sai tão caro, principalmente depois da Microsoft ter lançado oficialmente o seu novo console, o Xbox 360, e a Latamel, empresa panamenha, ter trazido oficialmente mesmo que através de importação o Wii para o Brasil.
Vejamos em termos comparativos os preços oficiais nacionais e os preços em dólar nos Estados Unidos:
Xbox 360 no Brasil: R$ 2.999,00
Xbox 360 nos Estados Unidos: US$ 400,00 (Aprox. R$ 900,00)
Diferença: R$ 2.099,00 (Aprox.)
Wii no Brasil: R$ 2.400,00
Wii nos Estados Unidos: US$ 250,00 (Aprox. R$ 600)
Diferença: R$ 1.800,00 (Aprox.)

A primeira coisa que nos vem à cabeça é, “Nossa! Malditas companhias! Estão querendo lucrar demais em cima de nós Brasileiros!”.
Bem, já ouviram a frase “a culpa é do governo“? Pois bem, é justamente por culpa do governo mesmo. Vocês já pesquisaram o quanto de impostos nós pagamos quando compramos um videogame que foi trazido legalmente para o Brasil?
Antes de tentarmos compreender os impostos cobrados sobre os videogames, vale lembrar que a moeda corrente é o dólar, e a maioria dos impostos incidem em efeito cascata (um valor sobre o outro, e não sobre o preço original do produto). Agora vamos aos impostos:
Imposto de Importação (II) - 28%
Trata-se de um imposto de intenção protecionista, para evitar a concorrência com produtos nacionais. Agora eu me pergunto, existe videogame nacional? E se existe, ele é tão bom quanto um Xbox 360, Xbox ou PS3 para poder competir?
ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) - 25%
O própio significado da sigla, explica do que se trata, e ele é sim cobrado também em produtos importados.
IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) - 50%
Trata-se de um imposto que é aplicado em produtos que passam por uma linha de montagem. Onde as peças são reunidas resultando em um novo produto.
PIS (Programa de Integração Social) - 1,65%
COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) - 7,6%
A carga tributária chega a representar 257% do preço do produto livre de impostos. E vale ressaltar que não estamos incluindo os custos de transporte, distribuição, lucro do revendedor e etc…
No final o mais absurdo é o fato que o governo praticamente não arrecada nada, pois o mercado de consoles corre quase que totalmente na ilegalidade, livre de impostos.
Estima-se que aproximadamente 94% dos consoles vendidos nacionalmente, são trazidos ilegalmente e livres de impostos. O que é compreensível devido a realidade nacional.
Existem associações e organizações de desenvolvedores nacionais de jogos, e de jogadores também, lutando para que o governo reveja os impostos, porém todos conhecem a burocracia que isto envolve e a falta de interesse do governo.
Muitos acreditam que o ideal seria seguir o modelo Mexicano, que aboliu todos os impostos e tornou-se o terceiro maior mercado de entretenimento eletrônico das Américas, perdendo obviamente apenas para os EUA e o Canadá, e desbancando o Brasil que antes era o terceiro. Hoje o México possui estúdios de desenvolvimento de jogos de empresas importantes como a EA Games, dando assim oportunidade aos desenvolvedores mexicanos demonstrarem sua criatividade, e gerando empregos no país.
E agora depois de tudo isso, o que vocês acham de empresas como a Nintendo e a Microsoft, principalmente a Microsoft, de se aventurarem em terras tupiniquins com tantas adversidades e sacrificando um pouco da margem de lucro para poderem deixar seus preços o menos assustadores possíveis?
É curioso como o governo adora bater na tecla da “inclusão digital“, mas nunca dando a devida atenção ao entretenimento digital, que é uma realidade mundial, sem falar que todos nós temos o direito ao lazer, seja ele em quais forem nas suas diversas formas, inclusive na forma digital, obviamente não se trata de um elemento essencial para viver, mas sem sombra de dúvidas é algo que já faz parte da cultura mundial.
Excelente artigo!
Isso tudo é verdade.Sou uma garota de família de classe media que já tive acesso a alguns consoles modernos,mas por causa da renda da minha família,(no caso,eu e minha mãe.),não tive opoturnidade ainda de compra o play station 2 ainda.é uma realidade da gente que podia mudar….
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