
No início do século XX, a situação de pobreza da população em algumas regiões do país fez com muitos emigrassem para outros países que prometiam trabalho e terras para cultivo próprio, o Brasil foi um destes países.
Ir para o Brasil, fazer dinheiro nas lavouras de café e retornar ao Japão o mais breve possível não era um sonho para muitas famílias japonesas no início do século XX: era a única saída. Na cidade, o índice de desemprego era dramático. No campo, os lavradores que não tinham tido suas terras confiscadas por falta de pagamento de impostos mal conseguiam sustentar a família. Diante desse cenário, o governo japonês era o primeiro interessado em estimular a emigração. Da parte do Brasil, o interesse pela vinda dos japoneses devia-se principalmente à interrupção, em 1902, do fluxo de imigrantes italianos, que deixou as fazendas cafeeiras precisando desesperadamente de braços. Foi essa equação que possibilitou que, em 1908, camponeses, carpinteiros, pequenos comerciantes e donos de fabriquetas à beira da falência se tornassem “soldados da fortuna”, como escreveu o presidente da Companhia Imperial de Emigração, Ryu Mizuno, no diário de bordo do Kasato Maru – o primeiro navio de imigração japonês a aportar no Brasil, trazendo 165 famílias.

Mas, quando chegaram às lavouras brasileiras, a expectativa de acumular dinheiro rapidamente ia se desfazendo à medida que eles iam recebendo os primeiros pagamentos: descontadas as parcelas da dívida da viagem, mais os gastos com alimentos e remédios (sempre comprados na própria fazenda), não sobrava quase nada. A vida só começou a melhorar depois que eles passaram a trabalhar na chamada “lavoura de parceria”: em contrato com um proprietário de terras, os trabalhadores se comprometiam a desmatar o terreno, semear o café, cuidar da plantação e devolver a área dali a sete anos, quando a segunda colheita estaria no ponto. Em troca, ficavam com os lucros da primeira safra (a cultura do café é bianual) e de tudo o que plantassem além do café.
Esse tipo de contrato foi o que permitiu que muitos japoneses comprassem suas primeiras terras. Embora a essa altura eles já estivessem aqui havia uma década – bastante tempo para quem planejava ficar por, no máximo, três anos –, o sonho de voltar ao Japão permanecia vivo e fazia com que a maior parte dos imigrantes educasse os filhos à maneira japonesa: dentro de casa, só se conversava na língua materna e, no contraturno da escola brasileira, as crianças freqüentavam os “nihon-gakus”, escolas onde aprendiam a ler e a escrever em japonês. Ao contrário do planejado, no entanto, apenas 10% dos quase 190 000 japoneses que imigraram antes da II Guerra Mundial voltaram para a terra natal. O restante ficou para sempre no Brasil – e ajudou a construir a história da segunda geração de japoneses no país.
Devemos lembrar, também, que no final da década de 80 começou um fenômeno reverso, a ida de nikkeis para trabalhar no Japão, os Dekaseguis. Atualmente, são mais de 300 mil pessoas, a terceira maior comunidade brasileira no exterior e que remete cerca de 2 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 4,1 bilhões) para o Brasil. No dia 18 de junho 2008, iremos completar 100 anos da Imigração Japonesa no Brasil, com cerca de 1,5 milhão de nikkeis (descendentes de japoneses que nasceram fora do Japão) é a maior comunidade nipônica fora do Japão.

As imagens que vocês assistiram durante esta matéria, são do jdrama Haru&Natsu, exibida na TV japonesa NHK, há cerca de dois anos, uma das primeiras homenagens realizadas pelos japoneses ao centenário. Japão e Brasil planejaram um calendário de festividades durante todo o ano para comemorar esta data tão importante para história dos dois países. E a Fundação Cultural Nipônica Brasileira (FCNB), como representante oficial das festividades do centenário no Ceará deixará você por dentro de tudo! Na semana que vem entraremos na segunda guerra mundial, te lá.
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