Centenário da Imigração Japonesa no Brasil - Parte 2

Por muito tempo, no Japão, perdurava a desordem e a desfragmentarão. O pequeno país chegou a ter, de 1335 a 1392, duas cortes imperiais. Mas, ao final daquele mesmo século, alcançara significativa unificação, ou pelo menos a pacificação. Isso foi obra de três grandes generais: Oda Nobunaga, Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu. Homens de grande capacidade militar, criaram uma base estável para o exército da administração Tokugawa, que durou até 1867.

Reconheceu algum nome? Não? Então vamos um pouco mais adiante. Em 1868 foi restaurado o poder imperial no Japão, tirando dos senhores shoguns o poder feudal que existia desde o século XII. Subiu ao trono o jovem imperador Mitsuhito, conhecido pelo nome de Meiji. A Era Meiji, que foi de 1868 a 1912, representou um período de grandes mudanças na história do Japão. E agora? Não acha que está faltando algo nessa história? Afinal, como o Shogunato foi derrubado? Essa parte você pode conhecer de uma forma realmente interessante através da série Rurouni Kenshin - Meiji Kenkaku Romantan (Kenshin, o andarilho - Crônicas de um Espadachim da Era Meiji), principalmente os OVAs.

Pois Shinta, nome de batismo de Kenshin Himura, protagonista da série, nasceu em 20 de junho de 1849. Aos seis anos foi vendido à mercadores de escravos logo após a morte dos seus pais. É resgatado e adotado por Seijuurou Hiko, que o rebatiza de Kenshin ( “espírito da espada” ) e passa a treiná-lo no estilo Hiten Mitsurugi de kenjutsu. Aos 14 anos abandona o mestre para se juntar a uma facção monarquista de Choushuu, neste momento começa a verdadeira história do espada-shin.

Kenshin

É na época do Bakumatsu que vai de 1866 a 1869, quatro anos que transcorre entre o Período Edo tardio, freqüentemente chamado de Xogunato ou Tokugawa tardio, e o início do Período Meiji que se inicia a trajetória do protagonista Kenshim Himura o terrível assassino do feudo de Choushuu. Nessa época, Kenshin ficou conhecido como “Hitokiri Battousai” (Battousai, o retalhador) por sua grande habilidade com o Battoujutsu, técnica que num movimento contínuo, saca a espada e realiza o corte.

Deu para perceber como este celebre anime uni, de maneira sutil, fatos verídicos a ficção? Ainda não? Então, vamos continuar. Kenshin permanece no cargo de assassino até o Kinmon no Hen (Guerra dos portões da cidade proibida, fato verídico), quando o alto comando da Ishin Shishi é obrigado a fazer uma retirada estratégica. O jovem Battousai muda-se para um vilarejo nos arredores de Kyoto onde permanece por cinco meses. Nesse período contrai matrimônio arranjado com Tomoe Yukishiro, dano início a um trágico e belo romance. Após alguns acontecimentos, Battousai retorna aos campos de batalha, saindo das sombras e lutando na frente de batalha em Kyoto, outro grande marco da história japonesa, enfrentando por muitas vezes os membros da Shinsengumi. O lendário assassino monarquista foi visto pela última vez durante as batalhas de Toba e Fushima, as primeiras da Guerra Boshin e outro fato verdadeiro que marcou o fim do Xogunato. Pouco depois de sair do campo de batalha, ganha uma sakabatou (espeda de lamina contrária) de Shakku Arai, famoso forjador de espadas. Com a vitória dos monarquistas que culminou na derrubada do Xogunato Tokugawa, dando origem a Era Meiji, Kenshin, arrependido pelas inúmeras vidas que tirou, decide nunca mais matar.

Kaouro

Tentando alcançar o perdão pelas mortes que causara durante o Bakumatsu (fim do bakufu/shogunato), durante 10 anos Kenshin vagou pelo Japão como andarilho até encontrar abrigo no Dojo Kamiya, onde a jovem Kaoru Kamiya lecionava kendo no estilo Kamiya Kashin (Espada para a Vida). As bases para a criação do protagonista de Rurouni Kenshin foram extraídas das biografias de Gensai Kawakami, um hitokiri verdadeiro considerado um dos quatro principais retalhadores do Bakumatsu. Kawakami, mestre no estilo de kenjutsu Shiranui Ryuu (Fogo Fátuo) era descrito como magro, de baixa estatura e gentil o suficiente para ser confundido com uma mulher. Foi executado pelo governo Meiji em 1871.

Saiba mais…

Sobre esta grande produção que nos faz conhecer tão bem a transição do Shogunato para Era Meiji, saiba que o Mangá foi criado pelo artista Nobuhiro Watsuki e posteriormente adaptado em anime, foi publicado originalmente na revista japonesa Shonen Jump. O trabalho completo rendeu 28 volumes encadernados.

O anime chegou ao Brasil no final de 1999, trazido pela Columbia Pictures (distribuidora internacional) e foi exibida pela Rede Globo até meados de 2000, com várias cenas cortadas, episódios pulados e sem o final. Em setembro de 2001 a emissora por assinatura Cartoon Network passou a exibir a série, exibindo-a até o final, a qual foi concluída em maio de 2002. Em setembro de 2003 ainda exibiu o longametragem da série, Rurouni Kenshin: Ishin Shishi no Requiem. A série ainda é reprisada com regularidade pelo canal.

O mangá foi publicado no Brasil a partir de maio de 2001 pela Editora JBC em 56 volumes (cada um sendo metade do original tankōbon), mantendo o formato de leitura japonesa. De início mensal, a partir da edição 5 o mangá passou a ser quinzenal até sua conclusão em novembro de 2003. O capítulo especial A Sakabatou de Yahiko foi lançado pela mesma editora em 10 de Julho de 2004. A editora também lançou em novembro de 2004, o Kenshin Kaden, uma enciclopédia da série.

No Brasil permanecem inéditos o episódio 95 e os OVAs Rurouni Kenshin: Tsuiokuhen e Rurouni Kenshin: Seisōhen. É isso aí galera, na próxima semana não perca a segunda parte da série de matérias “Centenário de Imigração”, quando falaremos do fim da Era Meiji, início do século XX, a imigração e início da 1ª grande guerra.



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